Constipação Idiopática Crônica (CIC)
A CIC envolve movimentos intestinais difíceis, infrequentes ou incompletos durando ≥3 meses sem causas secundárias. Subtipos incluem constipação de trânsito normal (funcional), constipação de trânsito lento (inércia colônica) e distúrbios defecatórios (dissinerg ia do assoalho pélvico). Avaliação personalizada orienta terapia.
Sintomas (Roma IV)
- Dois ou mais dos seguintes em ≥25% das defecações:
- Esforço
- Fezes grumosas/duras (Bristol 1–2)
- Sensação de evacuação incompleta ou obstrução
- Manobras manuais para facilitar fezes
- <3 movimentos intestinais espontâneos por semana
- Fezes soltas raramente presentes sem laxantes
- Critérios insuficientes para SII
Avaliação
- Histórico (dieta, medicamentos, comorbidades), exame físico, exame retal digital
- Características de alarme (sangramento, perda de peso, anemia, início novo >50) solicitam colonoscopia
- Exames laboratoriais (TSH, cálcio) se clinicamente indicado
- Diário de fezes/gráfico de Bristol para linha de base
- Testes adicionais para casos refratários:
- Manometria anorretal + teste de expulsão de balão (distúrbio defecatório)
- Estudo de trânsito colônico (marcadores radiopacos, cintilografia)
- Defecografia ou RM para questões estruturais
Estratégia de Tratamento
Estilo de Vida e Primeira Linha
- Aumento gradual de fibra (20–30 g/dia) + hidratação adequada
- Atividade física regular
- Tempo de banheiro programado após refeições (reflexo gastrocólico)
- Laxantes osmóticos (polietilenoglicol), amaciantes de fezes
Escalação Farmacológica
- Laxantes estimulantes (sena, bisacodil) curto prazo ou intermitente
- Secretagogos: lubiprostona, linaclotida, plecanatida
- Agonista de serotonina 5-HT4: prucaloprida
- Tenapanor para SII-C mas às vezes usado off-label
- Usar regimes combinados adaptados à forma/frequência das fezes
Dissinerg ia do Assoalho Pélvico
- Terapia de biofeedback (primeira linha) + fisioterapia do assoalho pélvico
- Evitar cirurgia sem abordar disfunção do assoalho pélvico
Constipação de Trânsito Lento Refratária
- Considerar procinéticos, neuromodulação (estimulação do nervo sacral)
- Colectomia subtotal com anastomose ileorretal em pacientes cuidadosamente selecionados
Medidas de Suporte
- Gerenciar medicamentos que pioram constipação (opioides, anticolinérgicos)
- Abordar fatores psicológicos (estresse, ansiedade) via TCC
- Garantir sono adequado—interrupção circadiana afeta motilidade
Vivendo com CIC
- Acompanhar frequência de fezes, forma, laxantes, ingestão de fibra/água, sintomas
- Identificar gatilhos dietéticos (ensaios de baixo FODMAP para inchaço)
- Usar massagem abdominal, exercícios respiratórios para estimular motilidade
- Manter relação positiva com comida—evitar restrição excessiva
Complicações
- Hemorroidas, fissuras anais, prolapso retal
- Impactação fecal
- Qualidade de vida diminuída, ansiedade/depressão
Pesquisa e Direções Futuras
Áreas incluem neuromodulação avançada, probióticos direcionados e biomarcadores preditivos de resposta.
Tratamentos Experimentais e Emergentes
- Estimulação Nervosa Sacral e Tibial: Para constipação refratária.
- Transplante de Microbiota Fecal: Investigado para restaurar motilidade.
- Procinéticos de Nova Geração: Agentes mais seletivos com menos efeitos colaterais.
- Rastreamento Digital de Motilidade: Wearables monitorando padrões intestinais.
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Aviso Médico: Apenas informativo. Trabalhe com seu gastroenterologista para avaliação diagnóstica, terapia escalonada e decisões de biofeedback/cirurgia.
Fontes: American Gastroenterological Association, American College of Gastroenterology, Rome Foundation